terça-feira, 8 de maio de 2012

Predadores nas estradas perdidas




Por Edmilson Lopes
(Sociólogo, prof. do Dep. de Ciências Sociais – UFRN e atual pró-reitor de Extensão da UFRN)
Texto Publicado na Terra Magazine, achado no portal Carta Potiguar

Imagem: Fotos Gov/Ba
Mobilidade urbana é o tema do momento. Nas grandes cidades, o tema deverá ocupar grande parte dos discursos dos candidatos às prefeituras. O crescimento da frota de veículos individuais e a ausência de investimentos vigorosos em transportes coletivos contribuíram para deteriorar a qualidade de vida não apenas nas metrópoles, mas também em cidades de porte médio. Parado em engarrafamento, ou espremido em ônibus, trens ou metrôs, o brasileiro vai se dando conta de que o preço a pagar pela incorporação do automóvel como bem distintivo é muito caro. Como não existem saídas mágicas, nem dinheiro dá em árvores, o grande ganho da discussão será mesmo a construção de um consenso em torno da necessidade de obras estruturais para o transporte de massas.
Entretanto, a (i)mobilidade urbana não traduz todo o drama do deslocamento de pessoas e cargas no Brasil contemporâneo. No vasto território nacional, a opção feita há décadas pelo transporte também cobra o seu alto preço. O transporte de cargas e de passageiros, pelas estradas do Brasil, exige um debate nacional. Nesse debate, mais do que a cobrança de obras de manutenção e de expansão da malha rodoviário, temos o desafio de lidar com a insegurança em boa parte de nossas estradas.

A naturalização dos assaltos nas rodovias é tamanha que os mapas rodoviários mais completos trazem informações sobre trechos nos quais a vulnerabilidade aos assaltantes das estradas é maior. Entretanto, mesmo os melhores guias não conseguem mapear corretamente as atividades predatórias que se desenvolvem em nossas rodovias. Os roubos de cargas, geralmente desenvolvido por grupos inseridos em redes amplas que contam com a participação de poderosos esquemas de comercialização, é a modalidade criminosa mais vistosa desenvolvidas em nossas estradas. Pela sua dimensão e pelo envolvimento de redes locais e regionais de comercialização de produtos sem notas fiscais, essa prática delituosa, quando as quadrilhas que a desenvolvem são desbaratadas, contam com ampla cobertura da imprensa.
Entretanto, há uma ampla gama de práticas predatórias nas nossas estradas que, salvo quando resultam em homicídios, merecem algum destaque. Refiro-me aos assaltos a ônibus de passageiros e a veículos particulares.
Em Pau dos Ferros, no oeste do Rio Grande do Norte, professores da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte que ministram aulas em cursos noturnos nos municípios vizinhos, escaldados pelos constantes assaltos das vans que os transportam, não mais retornam para a cidade após o término de suas atividades. Enfrentar 30 ou 40 quilômetros de rodovia se tornou algo temerário na região. Um motorista da Universidade, que já foi assaltado seis vezes em menos de cinco anos, falou-me que já tem um roteiro de como se comportar nas dramáticas situações dos assaltos. Estes, não raro, duram horas e envolvem o desvio dos transportes de passageiros – ônibus ou vans – para estradas carroçáveis. Além do pouco dinheiro dos passageiros, os criminosos são atraídos pelos aparelhos celulares e pelos notebooks. No último assalto em que foi vítima, os criminosos suspeitaram que um professor era policial e queriam assassiná-lo. Foi custoso convencê-los de que o rapaz malhado e de cabelos curtos era mesmo um professor.
Em sua tese de doutoramento, defendida no Programa de Sáude da UFBA, Silvia Regina Viodres Inoue apontou como os roubos a ônibus nas estradas baianas como determinante no sofrimento psíquico de condutores e passageiros. O trabalho, orientado pelo Professor Eduardo Paes Machado, aponta ainda como os roubos a ônibus foram incorporados aos cálculos de passageiros e motoristas.
Os custos sociais e econômicos da criminalidade predatória nas estradas brasileiras não são pequenos. As escoltas de caminhões e ônibus se tornaram obrigatórias e têm contribuído para aumentar os preços dos serviços tanto das transportadoras de cargas quanto das empresas de transportes de passageiros.
Na defesa de tese de Sílvia, na qual participei como examinador externo, o Professor Machado chamou a atenção para o fato de que a atividade predatória nas estradas é uma modalidade criminosa restritas a poucos países. Geralmente ocorre, em nações que, recém saídas de guerras civis, ainda convivem com grupos fortemente armados. No Brasil, é a expressão de quanto o Estado ainda tem dificuldades estruturais de garantir o controle do seu território.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

“Por que as bicicletadas são subversivas”



Um dos criadores do movimento sustenta: “deserção ativa” expressa no ato de pedalar, corrói um sistema de exploração social em cujo centro estão indústria petrolífera e posse de automóvel particular
Por Chris Carlsson, no Vá de bici
Para participar de uma Massa Crítica, você – se tiver uma bicicleta – não precisa comprar nada; nem objeto, nem serviço, nem ideologia; você não precisa nada a não ser o desejo de tomar parte na vida pública, sobre duas rodas. Quando centenas ou milhares de ciclistas tomam as ruas tal qual convivas utilizando o espaço público de forma celebratória, muitas das expectativas e regras do capitalismo moderno são desafiadas. Comportamentos individuais escapam à lógica do comprar e vender, ainda que apenas por algumas horas. Uma vez nas ruas, conexões inesperadas emergem, coisas não planejadas acontecem, relacionamentos bacanas iniciam por acaso. Diferentemente de uma ida ao shopping ou ao mercado, as conversas estão livres do jugo da lógica das transações, dos preços, das  medidas. É um intercâmbio livre, entre pessoas livres. A experiência altera nossa percepção do viver citadino imediatamente e, mais importante que isso, mexe com nosso imaginário coletivo de maneiras que estamos recém começando a aprender.
Ciclistas em uma Massa Crítica estão entre os praticantes mais visíveis de um novo tipo de conflito social. A “deserção ativa” expressa no ato de pedalar, corrói o sistema de exploração social organizado através da indústria petrolífera e da posse de automóvel particular. Ao pedalar em centros urbanos do Império, nós nos juntamos a um crescente movimento mundial que está repudiando os modelos econômicos e sociais controlados pelo capital multinacional e impostos a nós sem qualquer forma de consentimento democrático. A tomada das ruas, em massa, por um enxame de ciclistas “sem líderes” é exatamente o tipo de lógica de entrelaçamentos sociais auto-dirigida que está transformando nossas vidas, do ponto de vista econômico, e ameaçando a estrutura de governo, de negócios, bem como a estrutura policial e bélica (algo que os estrategistas militares mais imaginativos estão começando a entender).
A Massa Crítica tem uma nova prima na cidade: a San Francisco Bike Party [Festa da Bicicleta de São Francisco, doravante abreviada SFBP]. Esse caráter festivo sempre esteve presente na Massa Crítica; mas o modelo Festa da Bicicleta, tal como foi desenvolvido em San Jose e outras cidades, tem como ponto de partida uma equipe de organizadores (e monitores) voluntários que conduz a diversão. A primeira SFBP aconteceu em uma gélida noite de 7 de janeiro de 2011, e atraiu 1000 ciclistas, apesar do frio intenso. Foi muito parecido com a Massa Crítica, em alguns aspectos: eu curti muitas conversas com pessoas que estavam perto durante a pedalada, havia música, e vibrações amigáveis dos ciclistas bem como dos passantes. Éramos dúzias e centenas de ciclistas preenchendo as ruas no lugar de automóveis, exatamente como sonhávamos durante os primeiros meses da Massa Crítica, lá em 1992.
A Massa Crítica é, ou parece ser, politizada. Mas vamos combinar: sua política é relativamente difusa ou inarticulada; ou talvez seja algo tão plural que não possa ser resumido facilmente em um único conjunto de idéias. A Festa da Bicicleta [SFBP], por outro lado, é declaradamente apolítica, um pouco obcecada com a obediência às regras de trânsito, e – considerando os freqüentes berros de “Festa da Bicicleta!” durante o passeio – acaba estabelecendo uma concepção bastante rasa e vazia do que seja “diversão em bicicletas”.
Mais interessante, talvez, é a liderança informal que se movimenta nos bastidores tanto da SFBP quanto da Massa Crítica. Existe uma linha de continuidade entre a SFBP – com seu comitê organizador e seus “pássaros” (monitores) – e as Massas Críticas mais recentes, ‘da pesada’[hardcore], “sem líderes”, lideradas por anarquistas. Entre os dois extremos – em um papel decididamente imoderado – estão alguns de nós, que gostamos de ambos eventos, por motivos parecidos, mas temos nossas diferenças com ambos, também. Nós não queremos pessoas nos mandando ir para a faixa da direita, de maneira prepotente, ou dando ordem de parar em semáforo quando não há necessidade, ou num ponto de parada obrigatória quando não há tráfego transversal. Como disse um amigo: “não faço isso na minha vida normal, por que faria em uma Festa da Bicicleta?
O que motiva os organizadores e monitores da Festa da Bicicleta? Teriam eles uma necessidade de assegurar que um grupo de pessoas obedeça seus padrões de comportamento? Sabemos que há muitos ciclistas altamente comprometidos com o “bom comportamento e observância às lei”, e que defendem ser este o padrão segundo o qual ciclistas de todos os tipo devem ser julgados.  A SFBP recém começou, é provável que cresça muito, e atraia a atenção da polícia. Quando os organizadores começarem a negociar com a polícia, não vai demorar muito para que esta resolva determinar o que é aceitável e o que não é, em termos de trajetos, paradas e velocidade. Como vai ficar a diversão da Festa da Bicicleta quando os “pássaros” se tornarem óbvios guardiães das preferências policiais?
Dito isso, a primeira SFBP estava de fato muito divertida, e sua auto-disciplina era um espetáculo à parte. Aqui e ali, quando surgia a possibilidade de conflito com algum motorista ou ônibus que precisava passar, as pessoas educadamente faziam espaço. Ninguém furou um sinal vermelho ou avançou contra o tráfego transversal. Nada disso exigiu monitoramento; aconteceu naturalmente, a partir das preferências dos ciclistas.
Interessante observar que esse tipo de cortesia, emanada do bom-senso, poderia ser adotada pela Massa Crítica, de forma rotineira (isso já acontece, mas de forma esporádica); reduzindo assim a tensão e aumentando o prazer na pedalada para a maioria das pessoas. Alguns de nós articulamos esta abordagem e argumentamos em seu favor, em panfletos bem como na Rede, durante anos. Mas nós não queremos ser monitores e não queremos impor nada a ninguém.Nós gostaríamos que as pessoas se comportassem de maneira bacana e respeitosa, porque elas querem fazer isso, e porque isso é mais subversivo do que mostrar raiva e atitude confrontacional!
A Massa Crítica sempre se caracterizou como algo radicalmente democrático. No espaço público de nossas ruas, as pessoas presentes traçam seus próprios destinos segundo a maneira como interagem umas com as outras e com os passantes, coisa que pode ser profundamente democrática – não no sentido de votação onde a maioria ganha, que geralmente aceitamos como definição de democracia – mas no sentido diretamente democrático de participação aberta e não-mediada. Em outros sentidos, a Massa Crítica nunca foi “democrática”: poucas pessoas influenciam a escolha do trajeto (ainda que, em princípio, qualquer pessoa possa exercer influência a cada edição do passeio) e menos pessoas ainda causam conflitos, ao pedalar na contramão ao lado da Massa, ou adiantando-se ao grande grupo e guinando subitamente contra o trânsito transversal.
Nos primeiros anos, trajetos eram propostos e “votados” através da contagem aproximada de mãos erguidas, antes do início do passeio, na Peewee Herman Plaza. Algumas dúzias de pessoas, apenas, conseguiam participar nesse processo, mesmo que houvessem centenas presentes às imediações. Na prática, cada passeio é conduzido pelos ciclistas mais convincentes e assertivos dentre aqueles que se posicionam à frente do grupo. Desde o ataque policial de 1997 – que levou a um grande declínio na comunicação escrita entre os ciclistas (a tão propalada “xerocracia” parece ter se atrofiado) – não houve mais do que uma dúzia de propostas de trajeto, ao longo de igual número de anos. Resultou disso que muitas pessoas que não vivenciaram a Massa Crítica nos anos 90 se tornaram ideologicamente compromissadas com os conceitos “não há trajetos propostos” e “não há líderes”.
Alguns dentre essas mesmas pessoas parecem crer que a Massa Crítica é um “protesto” e que o sentido da coisa é ocupar vias arteriais importantes, de maneira a bagunçar [screw up] o trânsito o mais possível. Às vezes se pode ouvir essas pessoas resmungando, quando o passeio se dirige para o sul, ou muito para oeste, e clamando que deveríamos voltar para a área central, para poder cumprir sua abordagem tática. Dessa maneira esquisita, eles/elas ESTÃO liderando a Massa Crítica, mas sem explicar sua idéia, nem como esse proceder poderia efetivamente levar ao cumprimento de sua não-declarada “missão”. Isso revela essa realidade peculiar, auto-governada, da Massa Crítica: lideranças improvisadas [ad-hoc] tomam decisões importantes que influenciam a experiência que todos estão tendo, mas não dão satisfações a ninguém a não ser a eles mesmos.
É aí que alguns de nós, veteranos,  ficamos coçando a cabeça. Quem disse que a Massa Crítica é um “protesto”? Ser um ciclista antagônico não é contraproducente? O que está havendo em algumas subculturas juvenis cujos membros acham que é realmente radical ‘aprontar’ [to act out] e causar brigas com pessoas que não pensam como eles nem têm a mesma aparência? Não seria mais radical tentar tornar essas pessoas aliados ativos na luta por uma vida melhor? E o estilo de vida convencional [“mainstream”], dependente do automóvel, contra o qual os radicais protestam, não é inerentemente pior do que poderia ser? Não queremos convidar aqueles que estão assim aprisionados a se juntar a nós, ao invés de dar-lhes motivo de nos odiarem?
Em algumas cidades, a polícia conseguiu com sucesso parar a Massa Crítica, talvez porque os ciclistas não tenham conseguido ser tão criativos com o passeio e sua lógica. Em Austin, Texas, e Minneapolis, Minnesota, e até mesmo em Manhattan, a polícia agrediu e prendeu ciclistas, conseguindo assim desencorajar muitas pessoas a participar. Em Portland, Oregon, uma cidade muito pró-bicicleta, a Massa Crítica se extinguiu quando a cultura se tornou demasiadamente dominada por homens jovens e raivosos (em São Francisco nós os chamamos “A Brigada da Testosterona”) que pensam que existe uma “guerra de classes” entre carros e bicis. Eles fazem um esforço extra para bloquear carros, escarnecer e provocar motoristas, especialmente os que estão em carros dispendiosos. Aqueles que fazem essas coisas sentem orgulho disso e crêem estar levando as coisas às últimas conseqüências; mas, para o resto de nós, eles parecem apenas covardes se escondendo na multidão.
Objetos inanimados não têm luta de classes; ver as pessoas dentro dos carros como inimigos é um enorme erro político. Motoristas não são o inimigo, e sim nossos aliados naturais! Esse pessoal, preso no trânsito, dentro de carros ou ônibus, são claramente mais parecidos do que diferentes dos ciclistas que estão temporariamente alterando o ritmo da vida urbana ao tomar as ruas pedalando. O objetivo [the point] da Massa Crítica, na minha opinião sempre foi criar um espaço celebratório convidativo que seja tão contagioso que pessoas que ainda pedalam pouco sejam atraídas, de maneira irresistível, e queiram experimentar aquilo.  Se você ofende pessoas ou tenta fazê-las se sentir culpadas ou constrangidas, existe pouca chance de que elas venham a mudar a maneira como pensam e, por conseguinte, mudar seu comportamento. Nosso prazer é mais subversivo do que nossa ira e, para muitos, é difícil lembrar disso no calor das ruas.
É fácil esquecer que uma das melhores coisas a respeito da Massa Crítica é que ela põe centenas ou mesmo milhares de nós juntos nas ruas, onde as regras e a etiqueta nem sempre são claras. Isso significa que nós temos que resolver os problemas que surgem através do diálogo, vamos acertando/superando as coisas no calor do momento, e com isso adquirimos importante prática em auto-organização política e autogerenciamento.
Nos EUA, durante as últimas duas décadas, houve uma Guerra Cultural muito séria que definiu a sociedade; fundamentalistas cristãos de direita ousaram cada vez mais tentar controlar o comportamento do resto da sociedade. Do outro lado estão milhões de pessoas que preconizam um alto nível de liberdade e tolerância, e você pode encontrar muitas das pessoas mais ardorosas e articuladas desse grupo pedalando na Massa Crítica.
Existe tensão, de fato, entre valores diferentes que se digladiam tentando influenciar essas pedaladas em massa. Uma grande parte dos participantes provavelmente não está nem aí, desde que tenham um passeio divertido todo mês. Não há problema nisso, mas se deixarmos essas questões mais profundas de lado, nós não estaremos correspondendo a nossas próprias expectativas. Quaisquer que sejam nossas preferências pessoais, nem a Massa Crítica, nem a SF Bike Party estão se saindo bem em comunicar aos passantes o significado mais profundo de sua existência. Podemos não gostar de tudo que acontece a cada passeio, mas será que a gente não deveria se puxar mais, tentar influenciar a cultura que compartilhamos, debatendo abertamente nossos comportamentos, nossas “mensagens” (ou a falta delas) e nosso propósito?
Chris Carlsson
título original: Protest or celebration? Or Something Deeper Still?
extraído do blog Nowtopia; primeiramente distribuído pelo autor como panfleto na Massa Crítica de S. Francisco em 28 de janeiro de 2011
traduzido por Artur Elias Carneiro com revisão gramatical de Cláudia Ávila Moraes
observações sobre a tradução:
expressões entre “aspas” estão assim no original (ex.: “sem líderes”)
expressões entre (parênteses) estão assim no original
[colchetes] contém a expressão original em inglês
expressões em negrito ou em itálico estão assim no original
‘aspas’ simples foram adicionadas por mim
[colchetes em itálico] foram tbém acrescentados, para clarificação

Desinteresse dos jovens por carros preocupa montadora



Novas pesquisas revelam: geração entre 18 e 24 anos já não se encanta com mercadoria-símbolo do capitalismo — e valoriza, em contrapartida, justiça social, ambiente, compartilhamento e comunicação horizontal
Por Maria Fernanda Cavalcanti, no Mobilize 
Um recente artigo do The New York Times, da jornalista Amy Chozick, é mais uma prova de que os jovens mudaram. A geração entre 18 e 24 anos está se importando mais com os outros e com o mundo em que vivem, superando antigos valores e necessidades de consumo que já não os convencem e, muito menos, os satisfazem. Uma dessas mudanças importantes está no modo com que os jovens se relacionam com a mobilidade.
Há poucas décadas, o carro representava o ideal de liberdade para muitas gerações. Hoje, com ruas congestionadas, doenças respiratórias e falta de espaço para as pessoas nas cidades, os jovens se deram conta de que isso não tem nada a ver com ser livre, e passaram a valorizar meios de transporte mais limpos e acessíveis, como bicicleta, ônibus e trajetos a pé. Além do mais, “hoje Facebook, Twitter e mensagens de texto permitem que os adolescentes e jovens de 20 e poucos anos se conectem sem rodas. O preço alto da gasolina e as preocupações ambientais não ajudam em nada”, diz o artigo.
Para entender esse movimento, o texto conta que a GM, uma das principais montadoras de automóvel do mundo, pediu ajuda à MTV Scratch, braço de pesquisa e relacionamento com jovens da emissora norte-americana. A ideia é desenvolver estratégias adaptadas à realidade dos carros e focadas no público jovem para reconquistar prestígio com o pessoal de 20 e poucos anos – público que tem poder de compra calculado em 170 bilhões de dólares, segundo a empresa de pesquisa de mercado comScore.
Porém, a situação não parece ser reversível. “Em uma pesquisa realizada com 3 mil consumidores nascidos entre 1981 e 2000 – geração chamada de millennials– a Scratch perguntou quais eram as suas 31 marcas preferidas. Nenhuma marca de carro ficou entre as top 10, ficando bem abaixo de empresas como Google e Nike”, diz o artigo. Além disso, 46% dos motoristas de 18 a 24 anos declararam que preferem acesso a Internet a ter um carro, segundo dados da agência Gartner, também citados no texto do NY Times.
O que parece é que os interesses e as preocupações mudaram e as agência de publicidade estão correndo para entendê-los e moldá-los, mais uma vez. Só que, agora, com o poder da informação na ponta dos dedos e o movimento da mudança nos próprios pés fica bem mais difícil acreditar que a nossa liberdade dependa de uma caixa metálica que desagrega e polui a nossa cidade.
Jovens brasileiros preferem transporte público de qualidade
Essa tendência de não-valorização do carro já foi apontada também pelos nossos jovens aqui no Brasil. A pesquisa O Sonho Brasileiro, produzida pela agência de pesquisa Box1824, questionou milhares de millenials sobre sua relação com o país e o que esperavam para o futuro. As respostas, que podem ser acessadas na íntegra no site, mostram entusiasmo e vontade de transformação, especialmente, frente aos desafios sociais e urbanos como falta de educação e integração.
A problemática do transporte público se repete nos comentários dos internautas no site da pesquisa, que mantém o espaço virtual aberto para todos que quiserem deixar sua contribuição de desejo de mudança para o local em que vivem. A maioria das pessoas que opina enxerga o carro como um vilão que polui e tira espaço da cidade e acredita que a solução está em investimento em transporte público de qualidade. Esse é o desejo dos jovens brasileiros que também já mudaram e agora estão sonhando, mas de olhos bem abertos para cuidar do mundo em que vivem.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Bicicletada nacional no Brasil para a Rio+20

PROJETO BICICLETADA NACIONAL para a RIO+20

Objetivo geral:
Unir grupos de ciclistas de todos os estados em um ponto de encontro único formando a Massa Crítica brasileira rumo a conferência mundial da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável conhecida como RIO+20 (que acontecerá no Rio de Janeiro de 20 a 22 de Junho de 2012), composta por ciclistas de todas as regiões do País, representando todos os brasileiros que acreditam na humanização das cidades, na mobilidade urbana sustentável, no transporte sustentável, no respeito às leis do trânsito e na bicicleta como veículo modal. Além disto, o evento pretende chamar atenção dos chefes de estado, da grande mídia e dos cidadãos em geral para a necessidade de políticas públicas que incentivem os transportes alternativos ao automóvel individual, principalmente a bicicleta. A iniciativa pretende, de forma pacífica mas contestadora, demonstrar que formas de transporte alternativo verdes e saudáveis, além de necessárias, são possíveis. Até mesmo em países de extensões continentais como é o caso do território brasileiro.
Objetivo específico:
Estimular o deslocamento de comitivas de pessoas que partindo de diversos pontos do território nacional tenham como destino o evento Rio + 20, utilizando como meio de transporte a bicicleta, ou qualquer outro veículo movido a propulsão humana ou com fonte limpa de energia. Desta forma, espera-se mostrar, através da bicicleta, que as cidades de hoje não tem mais condições de ser, e que é preciso uma mudança do pensamento arquitetônico-urbanístico para um melhor convívio social e, urgentemente, a melhoria da qualidade de locomoção nas cidades. Por fim, a BICICLETADA NACIONAL também mostrará que a bicicleta promove um transporte cultural, onde o ciclista está em contato com o que está ao nosso redor, ao contrário da cultura do automóvel onde cada um se isola no seu universo fechado.
Justificativa:
Tendo em vista a aproximação do evento Rio + 20, cujo tema em 2012 será o desenvolvimento sustentável e o meio ambiente, e sabendo que o Brasil está se posicionando voluntariamente ante os acordos vigentes de redução de emissões de CO2, o projeto chamado “BICICLETADA NACIONAL” vem estimular a formação de pelotões de ciclistas que partirão de cada Estado e do Distrito Federal para o evento Rio + 20, utilizando como meio de transporte a bicicleta, e outros veículos movido a propulsão humana ou com fonte limpa de energia, ajudando desta forma a divulgar meios de transportes limpos e sustentáveis no meio urbano que contribuam para a redução de CO2.
O uso da bicicleta como meio de transporte populariza-se mais e mais a cada dia ao redor do planeta. Desta forma ela deixa de ser vista como um simples objeto de lazer e esporte e passa a compor a paisagem da cidade, o dia a dia das pessoas, como um veículo eficiente e sustentável.
A Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro lançou o Programa Rio Capital da Bicicleta e tem investido muito ao longo dos últimos anos para promover a bicicleta como meio de transporte e hoje possui 235 km* de malha cicloviária. Em Setembro realizou o 1°Bicirio – Fórum Internacional de Mobilidade por Bicicleta – evento com duração de 3 dias e intensa troca de experiências entre Gestores Públicos, Acadêmicos e Sociedade Civil. Em agosto de 2011, reativou o sistema de bicicletas públicas SAMBA – Solução Alternativa para a Mobilidade por Bicicletas de Aluguel, sinalizando o interesse em promover a bicicleta como meio de transporte seguro, confortável e ecológico, com alívio de custos em saúde coletiva.
O Governo Federal também demonstra interesse pela busca de soluções e começa a desenvolver o Programa Caminho da Escola – Transporte Escolar por Bicicletas, que tem como objetivo disponibilizar bicicletas para que os jovens possam frequentar as aulas com saúde, segurança e conforto.
O Governador do Distrito Federal, anunciou em novembro de 2011, a liberação de um valor de R$ 122 Milhões para o Sistema Cicloviário da região. Outras cidades como São Paulo e Belo Horizonte começam a tirar alguns projetos dos papéis e já investem em sistemas cicloviários como opção de transporte diário, principalmente para distâncias curtas. E a resposta da população é imediata e se faz evidente pelo visível aumento do número de ciclistas nas grandes cidades, descobrindo uma nova opção ao caos dos engarrafamentos diários e intermináveis.
O conceito de trânsito contido no CTB – Código de Trânsito Brasileiro nos diz que:
  • “Art. 1°: O trânsito de qualquer natureza nas vias terrestres do território nacional, abertas à circulação, rege‑se por este Código.
  • § 1°: Considera‑se trânsito a utilização das vias por pessoas, veículos e animais, isolados ou em grupos, conduzidos ou não, para fins de circulação, parada, estacionamento e operação de carga ou descarga.
  • § 2°: O trânsito, em condições seguras, é um direito de todos e dever dos órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de Trânsito, a estes cabendo, no âmbito das respectivas competências, adotar as medidas destinadas a assegurar esse direito.
  • § 3°: Os órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de Trânsito respondem, no âmbito das respectivas competências, objetivamente, por danos causados aos cidadãos em virtude de ação, omissão ou erro na execução e manutenção de programas, projetos e serviços que garantam o exercício do direito do trânsito seguro.
  • § 5°: Os órgãos e entidades de trânsito pertencentes ao Sistema Nacional de Trânsito darão prioridade em suas ações à defesa da vida, nela incluída a preservação da saúde e do meio ambiente.”
Ao lermos o que a Lei classifica como sendo o trânsito percebemos como o espaço público tem sido direcionado somente um tipo de transporte: o individual motorizado e poluente. O resultado é a situação epidêmica a qual somos obrigados a enfrentar. É chegada a hora da mudança!
A “Bicicletada Nacional” então proporcionará além de um maior alcance de divulgação do evento Rio + 20, tanto pelos contatos interpessoais dos ciclistas durante o caminho, quanto pela repercussão nas mídias locais, a promoção junto a população da utilização da bicicleta como veículo sustentável e saudável, demostrando assim que o transporte por tração humana pode ser sim uma das soluções urbanas de hoje. Chamando a atenção das autoridades para que invistam em soluções, oferecendo infra-estrutura adequada, cumprimento das leis que, ao final, se reverterá em bem comum a toda a sociedade. Soluções limpas e verdes, seguindo a tendência mundial, livres de fontes naturais limitadas e “ecologicamente inadequadas”.
Público-alvo:
Toda a sociedade visando a difusão do uso da bicicleta e o respeito às leis de trânsito em todo o País e, em especial, cidadãos de diversos pontos do país, sendo sensíveis à causa da mobilidade e do desenvolvimento sustentável.
Ação, plano e custos:
  • Refazer o logo
  • Montar um site para melhor comunicação entre as pessoas e divulgação do evento
  • Uma página no twitter
  • Procurar patrocínio e apoios para realização do evento
  • Planejamento de mídia e divulgação
  • Definir percursos que serão eixos e pensar na logística como comida, hospedagem e etc (em conjunto com o núcleo de cada estado, criado no facebook)
  • Pensar em deixar um legado do evento, entre as ideias estão: panfleto com benefícios da bicicleta para saúde
  • Montar um live streaming que acompanhe as pessoas saindo de seus diversos estados e chegando ao Rio de Janeiro.
  • Realização de um documentário
  • Realização de oficinas e atividades nas cidades por onde a BICICLETADA passar
LINKS DOS GRUPOS DA BICICLETADA NO FACEBOOK
BICICLETADA NACIONAL ESTADO DE SERGIPE
http://www.facebook.com/groups/240820202640328/docs/
BICICLETADA NACIONAL DISTRITO FEDERAL
http://www.facebook.com/groups/133662853405589/
RIO GRANDE DO SUL
http://www.facebook.com/groups/122411177867808/
SÃO PAULO
http://www.facebook.com/groups/284944938196522/
PARÁ
http://www.facebook.com/groups/212984688771901/
MANAUS
http://www.facebook.com/groups/140158602751394/
MINAS GERAIS
http://www.facebook.com/groups/132176956886775/
PARANÁ
http://www.facebook.com/groups/209228102481736/
PERNAMBUCO
http://www.facebook.com/groups/151125264986622/
BAHIA
http://www.facebook.com/groups/252213271493097/
SANTA CATARINA
http://www.facebook.com/groups/237614326295657
ESPIRITO SANTO
http://www.facebook.com/groups/300170249994632/
RIO GRANDE DO NORTE
http://www.facebook.com/groups/131672930270995/
PARAÍBA
http://www.facebook.com/groups/100413733406866/
ESTADO DO RIO DE JANEIRO
http://www.facebook.com/groups/132926376810706/